Espetáculo "Aqueles Dois" no teatro da CDL A 1ª etapa do palco giratório do Sesc apresenta o espetáculo “Aqueles Dois” da Cia. Luna Lunera, no dia 11 de abril, às 20 hs, no teatro da CDL, em Feira de Santana - Bahia. O ingresso inteira custa R$ 8,00. Classificação: 16 anos. No dia 12 de abril será realizada a oficina “Ator Criador”, das 13 às 22 hs, na CDL, para atores e estudantes de teatro. Inscrição: R$ 10,00. Tanto o espetáculo quanto a oficina contam com o apoio cultural da CDL de Feira de Santana.
Baseada no conto do gaúcho Caio Fernando Abreu (1948-1996), escritor e jornalista homossexual morto em decorrência de complicações provocadas pelo vírus da Aids, a peça conta a história de dois trabalhadores de uma repartição burocrática no centro de São Paulo, Raul e Saul. Entre um cafezinho e outro, os dois vão se aproximando pouco a pouco. Isso gera a desconfiança e a repressão dos outros colegas de trabalho. Eles reagem com vigor destrutivo diante da beleza que brota da altivez dos dois personagens, ainda não afetados pela mediocridade reinante no lugar. O estilo direto e simples da escrita de Caio Fernando Abreu aparece com naturalidade na boca dos atores Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Rômulo Braga.
Nudez A montagem criada e dirigida pelos quatro, ao lado de José Walter Albinati --integrante da companhia que optou por fazer o olhar de fora dessa vez--, apresenta impressionante preparação corporal do elenco. Jogos coreográficos servem para dar ritmo e beleza à encenação. O desenho cênico bem cuidado ajuda a sensibilizar a platéia para a história daqueles dois.
Não há um personagem para cada ator. Todos eles defendem Saul e Raul, bem como a relação tenra entre os dois. Nada no espetáculo é gratuito ou vulgar, nem a nudez explícita dos quatro atores, na cena em que Raul e Saul resolvem dormir nus ao lado um do outro, por conta do calor. A falta de roupa dos atores não agride; muito pelo contrário: é singela e necessária. O cenário intimista traz caixas de madeira, cadeiras, aparelhos sonoros, um violão, máquinas de escrever, telefones e a garrafa de café, em volta da qual aqueles dois se aproximam.
Forasteiros na solidão paulistana Perdidos na solidão de São Paulo, os forasteiros Raul e Saul se entregam ao carinho possível dentro e fora daquele escritório no qual estão enclausurados das 10h às 18h, entre grampeadores quebrados e mensagens impessoais. Como diz o próprio conto de Abreu: "que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem?"
O grupo reúne com sensibilidade discos presentes na vida de Caio Fernando Abreu, bem como na de sua geração. Vinis de Cazuza, Michael Jackson e Carlos Gardel circulam nas mãos dos atores. Ângela Rô Rô canta "Amor Meu Grande Amor" e Cazuza e Bebel Gilberto fazem dueto singelo em "Preciso Dizer Que Te Amo", canções que embalam a história.
O espetáculo participou da Mostra Contemporânea do Festival de Teatro de Curitiba e além de ter conquistado a platéia nos dois dias de apresentação, obteve inúmeros elogios da crítica especializada, levando o espetáculo para os principais Festivais de Teatro nacionais e internacionais.
Com informações de MIGUEL ARCANJO PRADO da Folha Online.
Data: 06 de abril de 2010 |